domingo, 8 de novembro de 2009

amor em Berlim

Amor em Berlim
Ontem mesmo comprei um All Star vermelho/ Coisas do capitalismo/ Porque amo alguém que não conhece o socialismo/ Nenhuma provocação/ Não sei se sou eu/ Ou meu amor que é ilusão/ Pensei que fosse dar a maior bandeira/ Mas, adeus Lênin/ Acabaram-se nossos sonhos/ As veias sangraram na América/ Meu coração baixou a guarda/ E desfilou sem ser condecorado/ Tudo o que estudei sobre revolução/ Não houve propaganda convincente/ Não encontrei frases que combinassem/ Com o que você pensa sobre a vida hoje/ Por isso sei que viverei sem meus amores/ As idealizações e utopias são esquecidas/ Só vive com elas os que estão ainda atrás do muro/ rafa

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bwana

Bwana Bwana, Me chama que eu vou, Sou tua mulher robô, Teleguiada pela paixonite...
Que não tem cura, Que não tem culpa, Pela volúpia, Volúpia!...
Bwana Bwana, Teu desejo é uma ordem, Te satisfazer, É o meu prazer...
Que não tem jeito, O meu defeito, É não saber parar, Volúpia!...
Adeus sarjeta, Bwana me salvou, Não quero gorjeta, Faço tudo por amor, Ah! Ah! Ah! Adeus sarjeta, Bwana me salvou, Não quero gorjeta, Faço tudo por, Faço tudo, Faço tudo por amor...
Bwana Bwana, Não sei cozinhar, Mas sou carinhosa, E tenho talento, Prá boemia, Corre sangria, Nas minhas veias, Volúpia!...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

atrás da porta

Quando olhaste bem nos olhos meus/ E o teu olhar era de adeus, juro que não acreditei/ Eu te estranhei, me debrucei Sobre o teu corpo e duvidei/ E me arrastei, e te arranhei/ E me agarrei nos teus cabelos/ No teu peito, teu pijama/ Nos teus pés, ao pé da cama/ Sem carinho, sem coberta/ No tapete atrás da porta/ Reclamei baixinho/ Dei prá maldizer o nosso lar/ Pra sujar teu nome, te humilhar/ E me vingar a qualquer preço/ Te adorando pelo avesso/ Pra mostrar que ainda sou tua/ Até provar que ainda sou tua.
Chico Buarque- Francis Hime

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ganhar você e não querer

Olhar você e não saber/ Que você é a pessoa mais linda do mundo/ Eu queria alguém lá no fundo do coração/ Ganhar você e não querer/ É porque eu quero que nada aconteça/ Deve ser porque eu não ando bem da cabeça/ Ou eu já cansei de acreditar/ O meu medo é uma coisa assim/ Que corre por fora entra, vai e volta sem sair,/ Oh, não ! Não tente me fazer feliz / Eu sei que o amor é bom demais / Mas dói demais sentir/ Olhar você e não saber/ Que você é a pessoa mais linda do mundo/ Eu queria alguém lá no fundo do coração / Ganhar você e não querer / É porque eu quero que nada aconteça/ Deve ser porque eu não ando bem da cabeça/ Ou eu já cansei de acreditar / Ou eu já cansei.../ O meu medo é uma coisa assim/ Que corre por fora entra, vai e volta sem sair,/ Oh, não ! Não tente me fazer feliz / Eu sei que o amor é bom demais...
Dalto/Cláudio Rabello

domingo, 18 de outubro de 2009

Miniaturas.

Quando criança, arrependia-me de jogar os brinquedos fora, tentado amadurecer como as outras infantes. Eu era egoísta nas coisas que criava e ninguém me parava, inventava vida real nas gentes de miniatura. Depois, meti-me a escrever histórias legais, mas só eu podia saber que eu já entendia do mundo, que na verdade ali era timidez inteligível. O difícil modo de encarar crescimento, aprofundamento, línguas, vida... Quem disse que um dia eu teria que ser velho?Jeito feio e incapaz de aproximação consigo próprio, amarga situação de sempre, porque ar é coisa que se respira todo dia,porque água é o que se bebe com sede,porque eu conheço o passar dos anos e nunca vejo ele totalmente dentro de mim. Quando eu desenhava nas aulas de matemática estava fugindo da lógica dos números,querendo mesmo a parte imaginativa de todo desempenho,aulas estas que nem me recordo mais,que não me fizeram enxergar nenhuma probabilidade racional feliz. Enquanto vocês buscam status,eu me imagino em campos verdes,caminhado pela manhã com o meu cachorro falecido,ouvindo música na varanda,saltando de asa-delta e almoçando a comidinha da mamãe.Tenho um tempo que não se arranca,pode até girar,mas o chão nunca abriu e terremotos só no Japão. Uma coisa que gosto é de abraçar, mas abraçar parece estranho, pois ao apertar quem se abraça ela não passa por você, ou mesmo não sai de um tubo como pasta de dentes, se abraça e acaba.Não me contento em ser humano,tem horas que acho ter vindo de Deus mesmo. Se pudesse um dia publicar esta modinha criaria um pseudônimo convincente, criança literária, o grilo na relva,a escada,fafaco,faelinha,finha,difícil escolher um.Vou tentar de novo:Senhorita fafaco (rsrs...),a lagoa,olho mágico,a lagarta,árvore no quintal,quinta-feira,complicado definir um título nesse esconderijo.A lupa.Eureca!Eu vigio formigas trabalhando, visualizo minhas digitais, meus poros, estou caçando miniaturas.
fafaco