Quando criança, arrependia-me de jogar os brinquedos fora, tentado amadurecer como as outras infantes. Eu era egoísta nas coisas que criava e ninguém me parava, inventava vida real nas gentes de miniatura. Depois, meti-me a escrever histórias legais, mas só eu podia saber que eu já entendia do mundo, que na verdade ali era timidez inteligível. O difícil modo de encarar crescimento, aprofundamento, línguas, vida... Quem disse que um dia eu teria que ser velho?Jeito feio e incapaz de aproximação consigo próprio, amarga situação de sempre, porque ar é coisa que se respira todo dia,porque água é o que se bebe com sede,porque eu conheço o passar dos anos e nunca vejo ele totalmente dentro de mim.
Quando eu desenhava nas aulas de matemática estava fugindo da lógica dos números,querendo mesmo a parte imaginativa de todo desempenho,aulas estas que nem me recordo mais,que não me fizeram enxergar nenhuma probabilidade racional feliz.
Enquanto vocês buscam status,eu me imagino em campos verdes,caminhado pela manhã com o meu cachorro falecido,ouvindo música na varanda,saltando de asa-delta e almoçando a comidinha da mamãe.Tenho um tempo que não se arranca,pode até girar,mas o chão nunca abriu e terremotos só no Japão.
Uma coisa que gosto é de abraçar, mas abraçar parece estranho, pois ao apertar quem se abraça ela não passa por você, ou mesmo não sai de um tubo como pasta de dentes, se abraça e acaba.Não me contento em ser humano,tem horas que acho ter vindo de Deus mesmo.
Se pudesse um dia publicar esta modinha criaria um pseudônimo convincente, criança literária, o grilo na relva,a escada,fafaco,faelinha,finha,difícil escolher um.Vou tentar de novo:Senhorita fafaco (rsrs...),a lagoa,olho mágico,a lagarta,árvore no quintal,quinta-feira,complicado definir um título nesse esconderijo.A lupa.Eureca!Eu vigio formigas trabalhando, visualizo minhas digitais, meus poros, estou caçando miniaturas.
fafaco