sábado, 30 de agosto de 2008

manhã do lamentável

I --Desigual este pudor! Pois em embriaguez, Revelo-lhe amor. Posto que seja são, Ainda que intocável, Segregado coração. --Dentre nós um calar, Torturando a vontade. Faço a ti desapontar: Quando ajo feito ave, Vôo longe me entender. Volto sempre de saudade!
II --Incêndio e avidez. Mãos em seu rosto, E nos meus olhos a nudez. Visgo em tudo seu, Cada dia que me passas, Noite que se varreu... --Onde posso caminhar? Sem recordar-te, bem... Não que eu queira terminar! É só por um alivio... De não me doer. De um café servido.
III --Desleal este querer! Não dá trégua nunca, Impregnou no meu viver. Então desisto desta fuga, Do medo de encarar-te. Pois não sei o que fazer... --Desigual à intenção! Rasgo idéias como folhas, De tão fajuta a invenção. E corro mundos... Como quem foge da sorte, De lindo interlúdio.
IV --Deste confuso indico. Peço ao garçom: --Vê-me dois absintos! Como que por assim, Tenhamos valentia, Se é que segue afim? --E termino à migué! Só com réstias de lá fora, À baixa maré. --revolto este idílio? Ó juventude esta minha, De sentimento ilícito!
(rafa)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Poder

Fim nos refletores da ilusão. Até onde eu fui, ninguém terá noção. Se realidade não se fez realizar, A imaginação fará.
Quis sair ileso ao coração, Já estava preso ao largar tua mão. É quando a saudade encosta e mostra o seu poder. Se eu não puder te ver.
Vê como a gente se espelha e se espalha, Um transparece no outro, o que pensa e o que fala. Quando um momento é maior poleniza tudo ao redor. E faz o amanhã nascer melhor.
Vê como a gente se estende e se espraia, Teu corpo se veste do meu que não tomba na raia. Quem for parar pra me ver, lá no fundo verá você, A brilhar em mim .
(Jorge Vercilo)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

viagem ao lago paranoá

Sabe,/ Um dia eu sumi/ Minha mãe fez chorar/ Escapuli/ Arrumei minhas trouxas/ E pus a sonhar/ Pelo o meu querido Paranoá/ Acenou-me um homem/ Elegante/ Fiz-me alegrar/ E uma ave a pousar/ Pelos cerrados à beira/ Dei-me conta de um guará/ E nesse rumar/ Tanta água fadigada/ De me ver passar/ Nenhuma tevê veio me filmar/ Ou busca de salvamento/ Ou balão no ar/ Vi que nem passara muito tempo/ E quem estava mais atento/ Era a barragem/ E o sol formidável/ Naquele azul imenso/ Então quis acabar/ E voltei do sonho/ Levantei da cama/ E fui me enxugar/ Minha mãe me procurava/ Pra dizer-me/ É só mais um dia/ Mas vale pra tentar/ Pra tentar/ Tentar.../ (rafa - poema dedicado à minha mãe)

Brega paixão

Ah,minha brega paixão/ Que bocado de risos/ Tira dos sem coração/ Faz que eu crie poemas/ E prefira a solidão/ E de tanta saudade tua/ Tendo a morrer de separação/ Se puder não se demore/ Pois prefiro viver sem inspiração/ Troco sua ausência por esta nota/ E lhe digo tudo na canção/ Ah,minha brega paixão/ Muitos dizem que é só fogo/ Que termina no verão/ O quanto eles se preocupam/ Vivem cheios de alusão/ Eu só quero embaixo da mesa dizer/ Seu nome três vezes sem razão/ Ah, minha brega paixão/ Minha brega paixão/ Brega paixão./
(Alice Maretto)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Vida de criança

O tempo sem pressa/ Intrigante/ Gestante/ Uma descoberta/ Pulei/ Na beira/ Estrangeiro/ Um filme de Almodóvar/ As calhas/ As serras/ A bica/ E todas as honras/ Os namoros/ As danças/ As mãos/ Prosas de varandas/ Aulas/ Recreio/ Professores/ Provas e gincanas/ Mãe/ Irmãos/ Aniversários/ Bolo e fanta laranja/ Enceradeiras/ Péla/ Corujão/ Vida de criança/ (Alice MAretto)

domingo, 24 de agosto de 2008

Verões ludibriados

Toda vez que preciso de sorte/ Amuada com um cigarro varejo/ Aparece-me um grilo, bingo!/ E me traz boas novas/ Já pedi que ele voltasse logo/ Que me encontrasse aqui no apartamento/ Pois preciso que me faça compras/ Tenho listas de pedidos amoedo/ Vivo um conto que está inacabável/ Sei que é mês de orvalho congelado/ Sou triste e sou feliz num amistoso/ Tu és de um mistério esverdeado/ Deus o traga com uma missão/ De estar em frente aos meus anseios/ Sem muita pressa de partir/ Pra que eu lhe tenha costumeiro/ O quanto custoso há de ficar/ Todas as tramas de um ser ocioso/ Que de esperteza lhe falta acreditar/ É do tipo desconfiado e teimoso/ Eu quero um amor que vista lilás/ Em campos de cerrados/ Em coisas que eu nem imaginei arborizar/ Quero as surpresas/ Bicho que saiu de férias/ Se voltar/ Traga-me tudo diferente/ Ria com seu criador tão conivente/ Da sorte que almejo ganhar./ (rafa)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

(o tempo restante)

“Toda vez que me acontece, É um desastre... Salvo os poemas revestidos, Do amor que nasce.” (10h35min)
Quando acordo ainda com sono/ E atravesso semáforos/ Prefiro a solidão numa metrópole/ E o rádio ligado/ Moro num pensionato barato/ Tenho alguns dias depressivos/ Sou pessimista então/ Dou com a cara em portas de vidro/ O silencio desse propulsor à dor/ Às minhas margens/ Dar-me a impressão de vicio sitiado/ Em outras linguagens/ Leio o jornal na página de empregos/ Almoço às três da tarde/ Hoje o termômetro marcou trinta graus/ E minha vida bate (Cuco)/ Estou criando outros pseudônimos/ Mas não Ciranno Gonzáles/ Este é sentimento de meu primo/ Pra me deserdar os males/ Cuidados para alimentar esse desastre/ Não tenho desde ontem/ E dia anterior fere mais que cinco meses/ Faz a quem abandonem / (o tempo restante)/
“São fundos demais estes Desentendimentos... É mais que posso alcançar, Desistir existe é o momento.”
(rafa)

On My Own

Sometimes I wonder/ Where I've been/ Who I am/ Do I fit in/ Make belivin' / Is hard alone/ Out here on my own/
We're always provin' / Who we are/ Always reachin' / For that risin' star/ To guide me far / And shine me home/ Out here on my own/
When I'm down / And feelin' blue/ I close my eyes / So I can be with you/ Oh, baby / Be strong for me/ Baby / Belong to me/ Help me through/ Help me need you/
Until the morning / Sun appears/ Making light / Of all my fears,/ I dry the tears / I've never shown/ Out here on my own/
When I'm down / And feelin' blue/ I close my eyes/ So I can be with you/ Oh, baby/ Be strong for me/ Baby/ Belong to me/ Help me through/ Help me need you/
Sometimes I wonders/ Where I've been/ Who I am / Do I fit in/ I may not win / But I can be strong/ Out here on my own / On my own /

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

da janela do avião

Pra dizer tem hora certa?/ Pra escapar, uma vergonha.../ Pra solidão, algum defeito.../ Para um autor uma história./ Pra dizer-te confiante/ Não disfarce, fique surpresa.../ Tenha zelo, por estas palavras.../ Tenho um querer fora do pretexto/ Deve existir um tempo exato/ Quem me dirá as coordenadas?/ Alguém por entre o imenso equador/ O momento decisivo de Bresson/ Alucinação talvez de Belchior.../ (rafa)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

despidos

No centro do rio de janeiro/ Fiz por mais que estranho/ Prolongadas chances/ E zás.../ Quando no Paço/ Um descompasso/ Tremendo os botões de cetim/ E o que era só história/ Eu tive medo de ir embora/ Pra lhe mostrar zefir/ Que na mesma lorota/ Nem meus pés puseram fora/ Das desordens de não cobrir/
(Ulisses D'vam & Rafa)

Torneira de água suja

Amores mal resolvidos/ Que nada!/ Falo dos casos à toa/ Que me cobram na praça/ Das malas que aprontei/ Dos paises que imigrei/ Falo do meu nome sujo/ Das promessas que não paguei/ Dos festins diabólicos/ Dos assuntos irrisórios/ Do que me tornei/ Falo do inferno praticável/ Da minha audácia que entornei/ (Ulisses D'vam & pintura Van Gogh)

Bairro

Amigo meu/ Gatinho marronzinho/ No quintal/ Vem de mansinho/ Amigo meu/ O menino é lourinho/ Vem de perto/ É meu vizinho/ Amigo meu/ Minha mãe deita na rede/ Chama o bicho/ Assovia-lhe/ Põe o disco do Alceu/ E a prosa faz se o dia/ Já tem pão na padaria/ O padeiro/ Amigo meu/ (Ulisses D'vam)

trasanteontem

amo alguém/não sei quem/de onde vem/esse trem/não sei bem/caminhos dizem/ que se tem/uma estrada triste/que se o trem/ele passa/olhem/ algo contém/motivos de espera/que desembarquem/amor que nos detém/ quero sua imagem/nesse trilho/triagem/a vapor cem/agora só nós dois/ trem nos leve pra bem longe/pra hoje/já/pra trasanteontem. (rafa-van gogh)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

distante do tempo formal

Olhei, me zanguei/ Como podes afugentar/ A razão do meu caminho/ Pra depois sofrear/ A saudade no mesmo país/ O itinerário e o copiá/ Do verde perene corrido/ A demora por curvas virá/ E um leve e trás distraído/ Pensamento no chão queimará/ Pra Deus o céu é o alivio/ Viajei, em solo batido/ E o ânimo é o não retornar/ (rafa)

Paolo

Ah meu querido Paolo/ Quanto de este merecer/ Das fortunas do amor/ Gato preto tu me és/ Recordista espantador/ Mandaram todos os outros/ Reclamarem noutras bandas/ Tens só minha afinidade/ Feito apego de criança/ (rafa)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

amore

viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objecto da nossa afeição; paixão; afecto; inclinação exclusiva; com muito gosto, com zelo; (van gogh)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

lampejo

Quero o sexo dos imorais/ Quero a bebida dos gregos/ A cama dos vagabundos/ Os dias de mero lampejo/ As águas limpas do rio/ Os sabores de fruta amarga/ O suor da febre inteira/ E a fumaça que se traga/ Quero a pessoa incerta/ E o vizinho em quilômetros/ O palestra Itália em festa/ De quebra sermos isômeros/ Quero a cara mais lavada/ E a toalha mais molhada/ A cidade vazia nas madrugadas/ Andar e retrucar pegadas/ (rafa "tomando uma cerveja")

Pros Que Estão Em Casa

Até bem cedo/ Esperei pelo telefonema/ Tapando com peneira/ O sol que vai nascendo./
Não vou tomar café/ Nem escovar os dentes/ Vou de aguardente/ Como o sol que queima a praça/
Bom dia, boa tarde/ Good night, quero dar um tapa/ De topete e cara/ Vi nova york internada/
E meu amor nao deu em nada/ Nem sobrancelhas eriçadas/ E a essa altura do fato / Nem fumaça tem cano de descarga./
(Hojerizah)

Defeito do século XXI

Envelheceram ao meu redor/ Tornaram-se chatos/ Moralistas.../ E pra que lugar, eu irei?/ Se me tornei livre/ E o mundo quer me deter!/ E eu recuso o sanatório./ (rafa)

Me haces bien

Para contarte, canto/ Quiero que sepas/ Cuánto me haces bien/ Me haces bien/ Me haces bien/ Te quiero de mil modos/ Te quiero sobre todo/ Me haces bien/ Me haces bien/ Me haces bien/ Basta ver el reflejo de tus ojos en los míos/ Como se lleva el frío/ Para entender/ Que el corazón no miente/ Que afortunadamente/ Me haces bien/ Me haces bien/ Me haces bien/ (Jorge Drexler)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

caricatura

Este desenho faz lembrar você/ E nele eu tenho quase verdade/ Mas é só imagem de um aprendiz/ O que existe mesmo é nossa amizade/ Se esse poema quase forma uma escada/ Você sobe os degraus sem se apoiar no corrimão/ E o tempo segue com vontade de parar/ Só pra não perder o quanto temos de inspiração/ E o tempo segue com vontade de parar/ Só pra não perder o quanto temos de inspiração/ (poema público)

Narda disco club

Narda Neyri,eis a figura,dona da casa mais badalada do estado Carioca:O que se sucede,mulheres sem um puto no bolso,mas com animação e sem o tino na cabeça.A trilha sonora nada mais é que Fada do Victor e Léo e a geladeira entupida de cerveja:Vamô armar o boteco aonde?As conversas são inacreditáveis, fala-se de tudo um pouco e no mais só baixaria, mesmo. Nada de lei seca, é sede zero,nesse embolar ouve-se um funk e eu me pergunto se estou ali realmente dançando até o chão com um bando de mulheres loucas!!No dia seguinte,na maldita ressaca,todas na sala belíssimas rebatendo outra pra curar a gastura e assistindo “Pecados e Tentações” com Leila Lopes...disse ela que o filme tinha um roteiro,mas e alguém vai ter paciência,imagina isso num cinema com a galera toda gritando”Sexo,sexo,sexo”...O negócio é a sacanagem,não é?!Pois então!Esse foi meu domingo cult com Leila Lopes,agora a gente pensa em assistir os da Rita Cadillac!
-Ei,vem cá!Tá bonito, né!Vocês assistindo filme pornô?(quem foi que disse isso?)

o trem das idéias

Penso em nada/ Mente vaga/ Passou tudo/ Nada pára/ Corre certo/ Não condiz/ Fico rico/ Fico pobre/ Infeliz.../ (rafa)
"Eu e Pedro Henrique o gatinho da Narda"

domingo, 3 de agosto de 2008

duas casas

Vá menina, Lavar aquela louça na pia/ De toalha na cabeça/ Com os pés no chão/ Se sua mãe chamar/ Atenda com delicadeza/ Veja o quadro pendurado/ Não entre em distração/ Vá menina, Almoçar com seu pai/ Num domingo de berlinda/ Assista a tevê no sofá/ Conte mais sobre seu dia/ Invista em amor paternal/ Que a separação murchou/ Agora que ele se aposentou/ Nas duas casas que dirá/ “Entre sempre com o pé direito Porque assim sorte virá”/ Vá menina, O coração tem muita saudade/ E a vontade não pode esperar/ Da vidinha boba/ Da idade pouca/ Vá logo que tem muita gente para abraçar.../ (rafa em saudades de casa)